Do mito ao tabu

Solidão que se faz necessária em diversos momentos. Já se passaram alguns anos, talvez alguns meses, ou até mesmo alguns dias em sua companhia. Os sentimentos já não a distinguem mais como outrora, sensações recalcadas de conformismo itinerante ou uma aptidão excedida em eventualidades passadas. O tempo não pára, pelo contrário, perante exigências e necessidades das situações se demonstra eficaz e valoroso em seus subterfúgios.

Lembranças se chocam com a realidade, como ondas de rejeições ao tempestuoso mar. Sonhos desvanecem, dissipam, e evaporam sob a luz da razão. Este raciocínio conduz à indução lógica visando à determinação do que é verdadeiro ou não, faz perecer a alma compassiva em tempos remotos, desmistificando-a sob as frias imparcialidades do entendimento.

A vida sofre suas mutações, os olhares se alteram e os sorrisos se resguardam receosos. O coração passa a marcar os mesmos compassos, silenciosos e fatigados. O amor torna-se um mito, um tabu inquestionável pela cadência da rotina conservadora. E o costume dita a maneira usual de fazer ou de agir rumo ao desconhecido.